Pular para o conteúdo principal

Conhecido mundialmente, artista brasileiro queima toda sua obra

Luca Benites (Foto: Divulgação)
Luca Benites (Foto: Divulgação) Programa Inova 360

Por Fausto Neto

Vou iniciar esse texto com uma reflexão… Se você fosse um artista, teria coragem de queimar todas as suas obras, depois de 18 anos de trabalho?

Tenho certeza, que entre a maioria das respostas estaria expressões como “eu jamais faria” e “é loucura”.

Pois bem, isso realmente é um fato e seu idealizador é o arquiteto e artista visual brasileiro, Luca Benites, reconhecido e considerado um jovem expoente no campo da arte contemporânea em todo mundo. 

Dedicando-se à arte desde 2010, quando se mudou para Barcelona, na Espanha, após cinco anos, num momento de reflexão sobre o valor do tempo, e a impermanência das coisas, começou a esboçar a ideia de empreender este novo projeto, que ele batizou de projeto “Fogo”, e que culminaria na queima de toda a sua obra. 

Ao dividir a ideia com sua esposa e seus pais, os deixou bastante preocupados, afinal já estava vivendo da venda de suas obras. Mas mesmo assim, o apoiaram na decisão.

Dando andamento ao projeto, considerado loucura, mas também audacioso e inovador, por outros artistas e a crítica especializada, começou a juntar todas as suas obras espalhadas pelo mundo, que não foram comercializadas, ou que não fizessem parte de algum acervo particular, e as reuniu em seu estúdio, em Barcelona. Mas acabou por ser impedido de realizar o projeto por lá, por conta das severas leis ambientais do governo espanhol, que restringe a realização de fogueiras em seu território. 

Então surgiu a possibilidade de realizá-lo na Áustria, na propriedade de uma amiga, no alto de uma montanha, do povoado de Ebnit. E assim foi feito.

Já no final de 2016, para não ter problemas aduaneiros, Luca resolveu levar as 300 obras em sua posse, em pequenas quantidades, primeiro até Genebra, na Suíça, na casa de um amigo. E quando tudo foi novamente reunido, seguiram até Ebnit.

Chegando no local, já se encontrava um grupo de amigos profissionais de áudio visual, que ele reuniu para registrar a queima, e fazer um documentário a respeito.

Com um prazo restrito a apenas um dia para gravar tudo, as obras foram colocadas na grama, uma ao lado da outra, como um grande mural, e finalmente a queima teve seu início. 

Luca entra em cena, ascende a fogueira, e leva uma obra por vez ao fogo. Registrado em mais de 5 mil fotos, e mais de 7 horas de vídeo. 

E diante daquele “vazio” ao ver as cinzas, ele foi remetido ao mesmo vazio que sentiu num período delicado de sua vida, aos 20 anos de idade, em que foi acometido por um tumor raro, e que mesmo posteriormente curado, o levou a ter o primeiro “insight” na vida, sobre o “valor do tempo”. 

E então, sentindo pela segunda vez a intensidade do vazio, entendeu que era um momento importante em sua vida. Um morrer para renascer. 

Depois disso, Luca recolheu as cinzas, e as levou para Barcelona. E ao tocá-las, sentindo toda a potência do seu trabalho dedicado à arte ali, decidiu colocá-las em ampulhetas, para mais uma vez questionar o “valor do tempo”, e também iniciando uma nova etapa do seu trabalho chamada “Pós Fogo”. 

A primeira ampulheta foi feita em dezembro de 2017, e hoje faz parte da coleção do MAC, Museu de Arte Contemporânea de Niterói, no Rio de Janeiro.

Luca ainda tem cinzas do Projeto “Fogo” para serem utilizadas em suas obras, mas já deu como uma etapa encerrada. E a finalizou, com uma viagem de carro ao deserto do Atacama, no Chile, com objetivo de sentir o “vazio” em sua grandeza, indo literalmente ao vazio de um deserto. E essa viagem também serviu para dar continuidade ao livro que ele já vinha escrevendo, e que terá o título “Manifesto ao Vazio”.

Além da relevância pessoal ao autor, esse projeto artístico acabou por alavancar ainda mais a sua carreira internacional, e o seu nome como artista contemporâneo de vanguarda. Pois até hoje, no mercado mundial da arte, não existe um caso, ou relato de que um artista tenha queimado toda sua produção artística em um projeto.

Segundo o artista… “Tudo começou como um projeto artístico e se tornou um projeto pessoal. E muitas pessoas ao terem contato com esse projeto e seu processo, também se sentem tocadas, e são impelidas a transformarem suas vidas, agora.” 

Atualmente, Luca Benites já trabalha em outros projetos, tanto na Europa como no Brasil. Um destes projetos será uma obra de alcance internacional, muito conectada aos dias atuais, mas que ainda está em processo de execução, e contará com a colaboração e apoio do Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba, no interior de São Paulo, o MACS.

Vamos aguardar!

Saiba mais acessando: www.lucabenites.com



Este texto foi publicado primeiro em http://noticias.r7.com/tecnologia-e-ciencia/programa-inova-360/conhecido-mundialmente-artista-brasileiro-queima-toda-sua-obra-05112020

Via RSS publicado em https://vitorolig.tumblr.com/post/633999200296779776

Postagens mais visitadas deste blog

Duke Kahanamoku reflects on surfing, Olympics, and old Hawaii in 1966 interview

Duke Kahanamoku is the most influential surfer of all time and is often hailed as the father of modern surfing. There is nearly no one questioning these titles. Recently, Public Broadcasting Service (PBS) Hawaii unveiled a never-before-seen interview with the legendary surfer and Olympic swimmer. In the 1966 episode of Pau Hana Years, a seminal Hawaii television program that aired on KHET-TV (now PBS Hawaii) for 16 years, running from 1966 until 1982, Bob Barker chats with Duke Kahanamoku, then 76. The conversation drifts from royal ancestry to Olympic lanes, from Hollywood sets to a surfboard shaped by hand, tracing the outline of a life that helped define modern surfing and Hawaii's public image in the 20th century. And if you know little about the man who dreamed of getting surfing into the Olympic Games, this is a precious piece of history. A name with history, worn casually The interview starts with Kahanamoku explaining that "Duke" is not a title but his giv...

The hydrodynamics of surfboard fins

Have you ever wondered why a surfboard fin looks like that? It is a single or a set of fixed blades or keels located under a board, near the tail, often no bigger than a hand. Yet that small surface is where much of the surfboard's behavior takes place. Speed, hold, looseness, and the feeling of control all trace back to how water moves around fins. The physics of surfboard fins falls under hydrodynamics, the study of how fluids behave in motion. So, according to science, they feature a shape designed to turn flowing water into several forces. Let's take a look at what's at stake when fins and water interact. Lift and the feeling of control One of the key variables in hydrodynamic terms involving surfboard fins is lift. When a surfer leans into a turn, the board tilts and the fins meet the water at an angle. The angle is enough to create a pressure difference between the two sides of the fin. Water speeds up on one side and slows on the other. The result is a sidewa...

How paddleboarding transforms your body and mind

Adventure is on our doorstep. With so many different bodies of water available to paddleboarders, from city canals to coastal routes, we can find adventure in places much closer to home than people might initially expect. According to the Canal and River Trust, 50 percent of people in England and Wales live within just eight kilometers of a canal or river, and eight million people live less than one kilometer away. I had lived within just a few kilometers of the Leeds and Liverpool Canal for years and never really explored it before stand-up paddleboarding (SUP) came into my life . The challenge created both a new perspective and a deeper love for where I lived and the areas which I passed through. On my coast-to-coast journey, I slept in my own bed for two nights as the route passed through my then hometown of Skipton, yet I felt I was on a grand journey of discovery. We are braver, stronger, and more resilient than we think. SUP not only helps us feel more connected to our va...