Com a chuva de meteoros que terá seu pico a partir dos primeiros minutos desta quarta-feira (21), podem surgir muitas dúvidas a respeito desse fenômeno. O R7 conversou com o coordenador do Observatório Didático de Astronomia da Unesp Bauru, Rodolfo Langhi, para saber como observar a Orionídeos, por que ela sempre ocorre em outubro, se existem outras chuvas de meteoros que acontecem com certa periodicidade e muito mais
Segundo o astrônomo, para acompanhar a Orionídeos, não será preciso utilizar equipamentos como luneta e binóculos. Inclusive, o fenômeno só pode ser visto a olho nu, pois os meteoros passam muito rapidamente e são dispersos entre si. “Basta que a pessoa deite no chão e observe o céu atentamente”, orienta
A Orionídeos ocorre todos os anos, sempre em outubro. Isso porque, de acordo com Langhi, é neste período que a Terra cruza com os rastros deixados pelo cometa Halley. “Os meteoros desta chuva consistem em fragmentos provenientes deste corpo celeste”
Além da Orionídeos, inúmeras outras chuvas de meteoros ocorrem todos os anos. “As mais famosas, no entanto, ao menos no Hemisfério Sul, são a Orionídeos, a Geminídeos e a Leonídeos”, afirma o astrônomo. A foto acima retrata um meteoro da Leonídeos registrado em 2009
A Orionídeos recebe este nome pois a trajetória dos meteoros dessa chuva se cruzam na Constelação de Orion. Já a Geminídeos e a Leonídeos, por exemplo, recebem este nome porque todos a trajetória de todos os meteoros destas chuvas se cruzam na Constelação de Gêmeos e Leão, respectivamente. “Se você analisar a foto acima, que ilustra uma chuva de meteoros Geminídeos, irá reparar que todos os meteoros parecem sair do mesmo ponto”, diz
De acordo com o Langhi, a chuva de meteoros, popularmente conhecida como “estrelas cadente”, consiste na entrada de meteoroides na atmosfera terrestre. Estes, por sua vez, são fragmentos de cometas ou asteroides que se desprendem e ficaram vagando pelo espaço, em órbitas em torno do Sol. Ao entrar na atmosfera, esses corpos celestes pegam fogo
“Isso acontece porque no espaço não há ar, é um vácuo. Quando as partículas se deparam com os gases da atmosfera a uma velocidade de cerca de 30km/s, mais de 100 mil km/h, e isto causa um atrito e elas começam a esquentar, podendo chegar a 2.000ºC”, explica. “A temperatura é tão alta que elas chegam a ser pulverizadas, isto é, viram poeira e vão descendo até atingir na superfície”
Em alguns casos, no entanto, os fragmentos são grandes e não chegam a queimar por completo, atingindo assim o solo. “Quando isso acontece, o corpo celeste recebe o nome de meteorito”, afirma o astrônomo. A foto acima retrata o Meteorito Marília, que caiu na cidade de Marília, no interior de São Paulo, em 5 de outubro de 1971
Segundo Langhi, durante a passagem da Terra pelos rastros do cometa Halley, os astrônomos podem estudar a composição química dessas partículas, a velocidade e a direção exata em que elas se movimentam. “A partir desses dados, é possível calcular com mais precisão a órbita desses fragmentos”, afirma
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