Pular para o conteúdo principal

Como transformar a indústria automotiva com consciência corporativa

Imagem: Freepik
Imagem: Freepik Programa Inova 360

Por Marcio Bueno

Qual o limite da responsabilidade social e meio ambiental de uma empresa?

Se pensarmos que está nas certificações (ISO, GPTW, Six Sigma, etc.) e guias de boas práticas (governança, responsabilidade social corporativa), estamos perdidos.

Se deixarmos em mãos da lei, piorou.

Não quero criticar as certificações ou a governança, elas são extremamente importantes e necessárias para um negócio, recomendo e incentivo a todos meus clientes a ter forte governança e compliance, porém, elas não têm nada que ver com consciência corporativa.

Boas práticas e conscientização, são conceitos necessários e complementares, porém, muito diferentes.

Vou tentar mostrar a diferença entre uma empresa correta de uma empresa consciente.

Imaginem uma empresa que vende material escolar licenciado.

Por exemplo, borrachas de apagar de personagens de desenhos animados ou super-heróis.

Este tipo de produto é extremamente atrativo para as crianças e rentáveis para a empresa.

Porém, essa empresa passa por um processo de conscientização e humanização, e decide revisar seu portfólio.

Buscando realmente ser coerente com sua nova visão, conversa com as escolas, e pergunta, o que a nossa empresa ajuda ou prejudica na educação das crianças?

A empresa recebe o feedback de que seus produtos licenciados viram brinquedo e sonho de consumo para as crianças.

O primeiro, impacta a parte pedagógica, criança deve brincar com brinquedos, o material escolar deve servir de apoio para aprender.

O segundo, é o bullying, produtos licenciados são mais caros e nem toda criança tem acesso.

Eu, como pai, acrescento outros pontos, que provavelmente também tenham sidos avaliados pela empresa.

Quantas vezes vemos crianças, “perdendo” propositalmente ou destruindo uma borracha para que os pais comprem o novo modelo?

Qual o impacto que terá na formação das novas gerações forjar um comportamento consumista tão cedo?

Qual o impacto no meio ambiente por acelerar a extração da borracha para atender o aumento da demanda artificial, devido ao sucesso da campanha de marketing?

A empresa fazia, obviamente, o contrato de licenciamento dentro da lei, produzia a borracha seguindo todas as boas práticas do mercado, respeitando a legislação de meio ambiente e tendo todos os selos de garantia de qualidade do mercado.

Porém, decidir se querem seguir ganhando dinheiro impactando negativamente às crianças, não é uma questão de certificações ou de boas práticas, é de conscientização.

Abrir mão de faturamento e alta rentabilidade para construir um mundo melhor, é um preço alto, que muitas vezes os executivos, empurram para o próximo.

E enquanto decidem onde vão viajar este ano com seu bônus, se convencem de que som bons e fazem o correto construindo um mundo hipócrita. Os pensamentos de auto convencimento neste caso poderiam ser:  “se eu não vender a borracha de princesa, outros vão vender”, “se eu abrir mão deste negócio terei que despedir  pessoas e eu gero emprego, não os destruo” ou ainda “eu ganhando dinheiro com isso, dedico uma parte da margem à nossos projetos sociais, já somos uma empresa consciente”.

Pois é, este caso é real, a Mercur, empresa brasileira, que segundo Jorge Hoelzel, CEO da empresa, demorou 3 anos para decidir-se e preparar-se, e ao final preferiram perder 10% do faturamento em um produto de alta rentabilidade, porém, ser fiel a seu propósito, de construir “o mundo de um jeito bom pra todo mundo”.

Portanto, temos que trabalhar para aumentar a conscientização das empresas, ampliar seu campo de visão e atuação para construírem um mundo melhor.

O ideal é que este movimento fosse genuíno, realmente porque a empresa considera que é certo a fazer.

Mas se não for assim, recomendo fortemente que as empresas elevem seu grau de conscientização e humanização, mesmo sem acreditar que devem fazê-lo.

Por quê?

Com os millennials surgiu uma mentalidade mais consciente, preocupados com impacto social e meio ambiental corporativo.

Os centennials estavam consolidando esta mentalidade e transformando em hábito de consumo, até que chegou à pandemia do COVID-19, que está acelerando e multiplicando por N a conscientização e humanização das pessoas.

Ao longo da história da humanidade, após todas as pandemias, houve um aumento de conscientização e de humanização.

Os eventos de forte impacto emocional nos levam à reflexão e volta aos valores básicos.

Por isso, as empresas precisarão se humanizar e, as que já o são, ampliar seu campo de humanização para estarem alinhadas com seus clientes.

Esta semana, quarta-feira 22/07, no quadro Visão Tecno-Humanista do programa Inova360, exibido pela Record News às 8:00h, estaremos com o Rafael Ugo, diretor de marketing e inteligência de mercado da Volvo Cars para a América Latina, e vamos falar de como a responsabilidade de uma empresa que se propõe a transformar sua indústria vai muito além de entregar um produto, de vender, enfim, é preocupar-se e ocupar-se do impacto de sua atividade.

O debate continuará em nossa Live com o Rafael e com os parceiros do programa, em nosso canal de Youtube, às 19h.

E ao final da jornada do programa Visão Tecno-Humanista, possamos responder à Volvo Cars e a vocês, se é possível e como transformar sua indústria com consciência corporativa.

Marcio Bueno assina a coluna “Tecno-Humanização”, no Inova360, parceiro do portal R7, e apresenta um quadro sobre o tema no programa de TV Inova360, na Record News. É Tecno-Humanista, fundador da BE&SK (www.bensk.net) e criador do conceito de Tecno-Humanização.

marciobueno@bensk.net

linkedin.com/in/marcio-luiz-bueno-de-melo-∴-94a7066



Este texto foi publicado primeiro em http://noticias.r7.com/tecnologia-e-ciencia/programa-inova-360/como-transformar-a-industria-automotiva-com-consciencia-corporativa-20072020

Via RSS publicado em https://vitorolig.tumblr.com/post/624233527076077568

Postagens mais visitadas deste blog

Duke Kahanamoku reflects on surfing, Olympics, and old Hawaii in 1966 interview

Duke Kahanamoku is the most influential surfer of all time and is often hailed as the father of modern surfing. There is nearly no one questioning these titles. Recently, Public Broadcasting Service (PBS) Hawaii unveiled a never-before-seen interview with the legendary surfer and Olympic swimmer. In the 1966 episode of Pau Hana Years, a seminal Hawaii television program that aired on KHET-TV (now PBS Hawaii) for 16 years, running from 1966 until 1982, Bob Barker chats with Duke Kahanamoku, then 76. The conversation drifts from royal ancestry to Olympic lanes, from Hollywood sets to a surfboard shaped by hand, tracing the outline of a life that helped define modern surfing and Hawaii's public image in the 20th century. And if you know little about the man who dreamed of getting surfing into the Olympic Games, this is a precious piece of history. A name with history, worn casually The interview starts with Kahanamoku explaining that "Duke" is not a title but his giv...

The hydrodynamics of surfboard fins

Have you ever wondered why a surfboard fin looks like that? It is a single or a set of fixed blades or keels located under a board, near the tail, often no bigger than a hand. Yet that small surface is where much of the surfboard's behavior takes place. Speed, hold, looseness, and the feeling of control all trace back to how water moves around fins. The physics of surfboard fins falls under hydrodynamics, the study of how fluids behave in motion. So, according to science, they feature a shape designed to turn flowing water into several forces. Let's take a look at what's at stake when fins and water interact. Lift and the feeling of control One of the key variables in hydrodynamic terms involving surfboard fins is lift. When a surfer leans into a turn, the board tilts and the fins meet the water at an angle. The angle is enough to create a pressure difference between the two sides of the fin. Water speeds up on one side and slows on the other. The result is a sidewa...

How paddleboarding transforms your body and mind

Adventure is on our doorstep. With so many different bodies of water available to paddleboarders, from city canals to coastal routes, we can find adventure in places much closer to home than people might initially expect. According to the Canal and River Trust, 50 percent of people in England and Wales live within just eight kilometers of a canal or river, and eight million people live less than one kilometer away. I had lived within just a few kilometers of the Leeds and Liverpool Canal for years and never really explored it before stand-up paddleboarding (SUP) came into my life . The challenge created both a new perspective and a deeper love for where I lived and the areas which I passed through. On my coast-to-coast journey, I slept in my own bed for two nights as the route passed through my then hometown of Skipton, yet I felt I was on a grand journey of discovery. We are braver, stronger, and more resilient than we think. SUP not only helps us feel more connected to our va...