Pular para o conteúdo principal

Empresas apostam em tecnologias sem toque para mundo pós-covid-19

Mercados trocam botões por sistema de aproximação
Mercados trocam botões por sistema de aproximação Michael Dalder/Reuters - 06.09.18

Uma atitude antes automática — apertar o botão para abrir a cancela do estacionamento do supermercado — virou, no mundo pós-coronavírus, operação complexa.

Achar um papel para não tocar onde vários dedos possivelmente contaminados já passaram ou dispensar a proteção e lambuzar as mãos de álcool em gel logo depois? Para evitar esse dilema, redes de supermercados começaram a substituir botões por tecnologias de aproximação, que excluem o toque. É um exemplo de escolhas tecnológicas - às vezes, simples e baratas, outras caras e complexas - que as empresas terão de fazer a partir de agora.

A corrida pela adoção de novas tecnologias se intensificará à medida que as mortes pelo coronavírus no Brasil atingirem novos picos, diz Heitor Salvador, presidente da empresa de segurança corporativa SegurPro.

Leia mais: Pandemia não desaquece busca por profissionais de tecnologia

Entre os projetos em andamento, diz o executivo, estão soluções simples, como adaptação de antigas câmeras de segurança para medição de distância entre funcionários, até a substituição de inteiros sistemas de identificação por digital por tecnologias de reconhecimento facial. Ele garante que é possível programar as câmeras para reconhecer pessoas mesmo quando elas usam máscaras para se protegerem da covid-19.

Investimentos

Entre as empresas que já investiram em tecnologias sem toque estão a Petrobras e a Vale. A mineradora adquiriu câmeras térmicas capazes de identificar, em um grupo de trabalhadores iniciando um turno em uma mina, um indivíduo com febre. Os equipamentos fazem parte de um lote de 86 câmeras térmicas compradas por R$ 7,5 milhões. As câmeras são capazes de identificar as variações de temperatura - e colorir a silhueta do funcionário potencialmente doente.

A Petrobras trabalha em diferentes frentes. Instalou câmeras térmicas — modelos mais simples, que mostram variações de temperatura de profissionais que passam, um a um, por uma catraca — e trabalha em várias frentes para ampliar a distância social, principalmente nas plataformas de produção, onde o espaço é limitado. O índice de infecção pela covid-19 nesses ambientes é acompanhado pelo MPT (Ministério Público do Trabalho).

Segundo Juliano Dantas, gerente do centro de pesquisa da estatal, a tecnologia sem toque — ou low touch, em inglês — é uma “preocupação central”. A companhia analisa seus processos para evitar que superfícies sejam tocada por um grande número de pessoas.

“Isso começa pelas catracas”, diz Dantas. Sem gastar muito, é possível também aumentar a vigilância de determinados comportamentos, como aglomerações de funcionários. “Uma câmera pode ganhar um novo software e ser ‘treinada’ para disparar um alarme para dispersar pessoas”, explica.

Digital x face

Como lembra Salvador, da SegurPro, alternativas low touch terão de ser adotadas também da “porta para fora” e vão influenciar a relação entre negócios e clientes. É o caso das já mencionadas cancelas de estacionamento e de outros pontos de atendimento, como totens de pagamento e caixas eletrônicos de bancos.

Segundo uma fonte ouvida pelo Estadão, um grande banco brasileiro já estuda trocar a identificação do correntista da impressão digital para a identificação facial.

A empresa japonesa de tecnologia NEC já adota, em sua sede, em São Paulo, sistema de identificação facial em que trabalhadores e visitantes são identificados por uma câmera, que libera o acesso ao prédio, sem necessidade de encostar crachá — e, quase sempre, a mão — numa superfície de uso coletivo.

Já a SegurPro oferece uma portaria virtual em que a pessoa se coloca diante de uma tela e apenas mostra o documento a um porteiro que trabalha remotamente, em uma central. Ao “ler” a foto do documento, a solução é capaz de liberar ou não o visitante.

Fator humano

Modificar processos depende, claro, do “fator humano”. A fábrica da Volkswagen no ABC Paulista deve retomar atividades no dia 18 deste mês. Para garantir o cumprimento de medidas de segurança, funcionários agirão como monitores e vão separar aglomerações.

“Todo mundo vai ter de respeitar. Vamos esquecer hierarquias. O monitor poderá chamar a atenção de qualquer um, até de mim”, disse Pablo Di Si, presidente da Volkswagen na América Latina, durante a série de entrevistas Economia na Quarentena, na semana passada.

E sempre haverá formas de driblar regras, alerta Leonardo Fonseca Netto, diretor da NEC. A câmera que identifica funcionários febris, por exemplo, só é capaz de medir a temperatura no momento em que filma a pessoa.

“Não sou contra a solução, mas, se a pessoa tiver tomado um antitérmico horas antes e a temperatura estiver temporariamente normal, a câmera não vai identificar nada”, pondera. É a prova de que a tecnologia pode ir longe, mas não é capaz de garantir que humanos desenvolvam certas qualidades. Nesse caso, o senso de bem comum.



Este texto foi publicado primeiro em http://noticias.r7.com/tecnologia-e-ciencia/empresas-apostam-em-tecnologias-sem-toque-para-mundo-pos-covid-19-10052020

Via RSS publicado em https://vitorolig.tumblr.com/post/617787302670958592

Postagens mais visitadas deste blog

Duke Kahanamoku reflects on surfing, Olympics, and old Hawaii in 1966 interview

Duke Kahanamoku is the most influential surfer of all time and is often hailed as the father of modern surfing. There is nearly no one questioning these titles. Recently, Public Broadcasting Service (PBS) Hawaii unveiled a never-before-seen interview with the legendary surfer and Olympic swimmer. In the 1966 episode of Pau Hana Years, a seminal Hawaii television program that aired on KHET-TV (now PBS Hawaii) for 16 years, running from 1966 until 1982, Bob Barker chats with Duke Kahanamoku, then 76. The conversation drifts from royal ancestry to Olympic lanes, from Hollywood sets to a surfboard shaped by hand, tracing the outline of a life that helped define modern surfing and Hawaii's public image in the 20th century. And if you know little about the man who dreamed of getting surfing into the Olympic Games, this is a precious piece of history. A name with history, worn casually The interview starts with Kahanamoku explaining that "Duke" is not a title but his giv...

The hydrodynamics of surfboard fins

Have you ever wondered why a surfboard fin looks like that? It is a single or a set of fixed blades or keels located under a board, near the tail, often no bigger than a hand. Yet that small surface is where much of the surfboard's behavior takes place. Speed, hold, looseness, and the feeling of control all trace back to how water moves around fins. The physics of surfboard fins falls under hydrodynamics, the study of how fluids behave in motion. So, according to science, they feature a shape designed to turn flowing water into several forces. Let's take a look at what's at stake when fins and water interact. Lift and the feeling of control One of the key variables in hydrodynamic terms involving surfboard fins is lift. When a surfer leans into a turn, the board tilts and the fins meet the water at an angle. The angle is enough to create a pressure difference between the two sides of the fin. Water speeds up on one side and slows on the other. The result is a sidewa...

How paddleboarding transforms your body and mind

Adventure is on our doorstep. With so many different bodies of water available to paddleboarders, from city canals to coastal routes, we can find adventure in places much closer to home than people might initially expect. According to the Canal and River Trust, 50 percent of people in England and Wales live within just eight kilometers of a canal or river, and eight million people live less than one kilometer away. I had lived within just a few kilometers of the Leeds and Liverpool Canal for years and never really explored it before stand-up paddleboarding (SUP) came into my life . The challenge created both a new perspective and a deeper love for where I lived and the areas which I passed through. On my coast-to-coast journey, I slept in my own bed for two nights as the route passed through my then hometown of Skipton, yet I felt I was on a grand journey of discovery. We are braver, stronger, and more resilient than we think. SUP not only helps us feel more connected to our va...