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Aquecimento global leva parte dos EUA a sofrer megasseca, diz estudo

Área do Parque Nacional do Lago Mead, em Nevada (EUA), durante seca em 2014
Área do Parque Nacional do Lago Mead, em Nevada (EUA), durante seca em 2014 Jim Lo Scalzo / EFE-EPA - 25.7.2014
A ação do homem sobre o clima transformou o que já seria um longo período natural de seca no sudoeste dos Estados Unidos em uma megasseca, afirma um estudo publicado esta semana na revista de divulgação científica Science por pesquisadores da Universidade Columbia.

De acordo com a pesquisa, os dados sobre o clima em uma vasta região do país indicam que, entre os anos de 2000 e 2018, os índices de precipitação e de umidade do solo são tão ruins ou até piores do que os piores períodos já registrados nos últimos 1200 anos.

Os registros oficiais do clima nos EUA começaram a ser feitos a partir do ano 1900. Para saber sobre períodos de seca anteriores, os cientistas observam os anéis de crescimento em troncos de árvores e aplicam modelos climáticos (que são como equações matemáticas usadas para prever o clima) para desenhar como seria o clima em um determinado período histórico.

Megassecas são recorrentes, mas esta pode ser pior
Com este método e também com registros históricos sobre os povos ameríndios que viviam na região do sudoeste dos EUA, sabe-se que este extenso território (que inclui também uma parte do noroeste do México) é historicamente afetado por secas sazonais e algumas delas são descritas pelos climatólogos como megassecas.

Estudos anteriores apontam dois grandes períodos de estiagem extrema após a pré-história, uma nos anos 800 e outra em 1500.

A mesma metodologia dos troncos de árvores e modelos climáticos foi usada pelos cientistas de Columbia nesse estudo. “Nós temos dados sobre a seca atual e registros de anéis de crescimento de árvores suficientes para dizer que estamos na mesma trajetória das piores secas pré-históricas”, escreveu o líder da pesquisa, o bioclimatologista Park Williams, em um comunicado oficial.

Segundo Williams, os dados destes primeiros 19 anos do século XXI seriam muito semelhantes aos dados dos primeiros 20 anos das megassecas dos séculos IX e XVI. “Esta seca é maior do que qualquer uma que a sociedade moderna tenha visto.”

Influência das mudanças climáticas
Em 2014, Lago Mead tinha perdido 39% do volume de água

Em 2014, Lago Mead tinha perdido 39% do volume de água Jim Lo Scalzo / EFE-EPA - 24.7.2014

Os pesquisadores dizem que pelo menos a metade desta seca histórica pode ser creditada ao aquecimento global provocado pela atividade humana no planeta.

À revista USA Today, o climatólogo da Universidade da Califórnia em Los Angeles, Daniel Swain, que não fez parte da equipe do estudo liderado por Williams, diz que as evidências levantadas pela pesquisa são importante e mostram “que as mudanças climáticas provocas pelo homem transformaram o que seria um período longo de seca moderada em um evento climático severo como as megassecas do passado”.

Alguns dos impactos da megasseca em andamento apontados pelos pesquisadores são a ocorrência muito maior de incêndios florestais e a diminuição do volume de água de reservatórios, naturais ou não. O Lago Mead, formado por uma represa no Rio Colorado, é um dos maiores reservatórios artificiais dos EUA e registra uma diminuição constante do seu volume de água nos últimos anos.

A região sudoeste dos EUA abriga hoje uma população de cerca de 15 milhões de habitantes e inclui estados como Colorado, Utah, Nevada e Novo México, além de uma parte da Califórnia.


Este texto foi publicado primeiro em http://noticias.r7.com/tecnologia-e-ciencia/aquecimento-global-leva-parte-dos-eua-a-sofrer-megasseca-diz-estudo-17042020

Notícia publicada também no blog https://vitorolig.tumblr.com

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